[Fala aí Babi] Texto "NA TENTATIVA" A realidade da literatura nas escolas públicas.


Olá gente linda!
Hoje tem o texto de estréia da nossa nova integrante nesse clube que é puro amor!
Hoje a Barbara Garret vem nos contar um pouco sobre seu outro lado, o lado educadora no texto "Na Tentativa" sobre a dificuldade do incentivo à novos leitores nas escolas públicas do RJ.
Tenho certeza que esse texto irá te tocar, como nos tocou! E quem sabe incentive você que o estiver lendo a plantar a sementinha da leitura pelos pequenos de sua família!
Let´s go
NA TENTATIVA
Tentativa dois de escrever alguma coisa, porque o computador deu pau ainda agora. Essa tecnologia é abençoada e a destruição dos nervos de qualquer escritor ao mesmo tempo. O que eu quero contar é algo que me deixou bastante triste e decepcionada na última semana. Sou professora de escolas públicas da rede municipal e estadual daqui do Rio de Janeiro e, iludida, cheguei para dar aula, repleta de ideias na cabeça e comecei a conversar com meus alunos entre sexto ano do fundamental e ensino médio, sobre a criação de um blog literário dos estudantes, especificamente para eles lerem os livros, afinal nas escolas há biblioteca e darem suas opiniões, não importavam quais fossem, positivas, negativas, debochadas, o que eu queria era que lessem e se expressassem, utilizando um meio que os adolescentes tanto amam: a internet.
Comecei empolgada, falei em todas as turmas, comentei sobre livros que viraram filmes, etecetera e tal. Mas... O lance não rolou. Os alunos mudavam de assunto, conversavam entre eles sobre outras coisas e eu lá, com cara de tacho, na tentativa desesperada de conseguir converter uma alma.
Eu só sei, que ao final de uma semana, tinha feito minha pregação em sete turmas para um número de pelo menos duzentos adolescentes. E nada.
No entanto, ao final de uma de minhas aulas, um aluninho fofo veio me perguntar sobre o tal projeto do blog. Expliquei a ele a proposta, disse o que era uma resenha e ele me lançou a seguinte pérola: estava lendo A Ilha do Tesouro!

Quase chorei de emoção.
Agora, vejam vocês, a que ponto nós chegamos: duas escolas públicas, repletas de livros novos, cheirosos, entregues todos os anos pelos governos estadual e municipal e as salas de leitura às moscas, traças e mosquitos. As salas estão abertas, os estudantes estão livres para levar os livros para casa e ler e se deleitarem com os exemplares disponíveis. Porém...
Leitura é hábito. Leitura é gosto pessoal. Não se pode forçar ninguém a nada. Não gostar de ler, tudo bem, mas, pode-se mostrar o bem que a leitura faz. Incentivo não faz mal a ninguém.

Ah! E hoje tive a grata surpresa de receber de um garotinho tímido do sexto ano, numa folha de caderno arrancada, amassada e dobrada, escrita a lápis, sua primeira resenha. Darei um jeito de publicá-la. E será a primeira de muitas.


Por trás da Coluna "Fala aí Babi" Autora Barbara Garrett
A carioca Barbara Garrett, formada em Direito, Letras e Pós-Graduada em Ensino de Língua Inglesa e Revisão de Textos, tem na literatura seu passatempo mais antigo. Aprendeu as primeiras palavras com revistas da Turma da Mônica e daí não parou mais, até que ler não era mais suficiente e começou a criar suas próprias histórias.
Fã de ficção científica cursou dois semestres como aluna especial do Mestrado em Literaturas de Língua Inglesa na UERJ, onde se aprofundou ainda mais no gênero. Fascinada por Ufologia, seu primeiro romance, Abdução é a união de tudo o que mais a fascina e que pode ser expresso em palavras. Atualmente é servidora pública do Estado e do Município do Rio de Janeiro, onde utiliza a literatura como ferramenta auxiliar em suas aulas de inglês.


Não deixem de dar sua opinião!

Vocês já semearam a leitura no coração de alguma criança? Nos conte a sua história!

Beijos e até a próximo post.

Texto Barbara Garret.

12 comentários:

  1. Oi,
    Você sabe que estou em contato com a Prefeitura da cidade onde moro, para tentar algum tipo de contato com os alunos... Quem sabe falar sobre literatura, mostrar os livros que eles não conhecem, enfim, e tenho medo disso; de falar para as paredes. Hahahahaa... mas tenho fé. Se eu aprendi a gostar de ler ao ponto de virar escritora, há esperança no mundo.
    Adorei seu post, seu engajamento e não desista.
    bjs

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    1. Não desista, Tatiane. Fui convidada por uma escola municipal próxima para falar do meu livro para séries mais avançadas e fui bem recebida, claro que nem todos prestaram atenção, mas boa parte dos alunos foi bem receptiva.

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  2. Gostei muito do post Barbara! Chegou já causando hahahah
    Mas falando sério, é muito triste ver que poucas são as crianças que gostam de ler, que tenham uma família que incentive ou tente plantas a sementinha dos livros em seus pequenos corações, é por isso que hoje me dia a juventude é preocupante em seu modo de agir, não vivem fora das redes sociais ou das tecnologias, e ai de mim, não to dizendo que tecnologia e redes sociais são ruins, mas viver só disso não é saudável de forma nenhuma isso é fato.

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    1. Obrigada, Giu! Agradeço muito seu apoio e sem dúvida, vou continuar teimando! Rsrsrs Hoje consegui arrebanhar uma aluna do nono ano que me enviou um texto que ela escreveu. Estou dando a maior força para ela!

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  3. Nossa, que fofo! Eu também já tentei ir em escolas e tudo mais. Foi bom, teve feedback. Contudo, foi de uma pouca minoria. Só que entrar na sala de aula para dar estágio e ver um aluno de sexto ano lendo meu livro foi... lindo!

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    1. É gratificante demais, Letícia! Vamos persistir!

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  4. Linda iniciativa Bárbara. Realmente é difícil trazer os jovens para a leitura sem o incentivo em casa, mas não é impossível.

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    1. Eu sou teimosa, Joseane! Hoje consegui arrebanhar mais uma aluna!

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  5. Parabéns pela iniciativa... realmente não é fácil, mas sempre há uma luz no fim do túnel. Como a Joseane disse, é importante o incentivo em casa e acho que isso vem especialmente do exemplo. Quando os pais (ou pelo menos um deles) tem o hábito da leitura, isso passa a ser uma coisa natural para a criança e ela própria começa a se interessar por livros. Meu filho tem 3 anos e desde os 2 ele sabe todo o alfabeto sem que eu ou minha esposa "impusesse" o aprendizado, foi algo natural, de total interesse dele. Sempre compramos livros para ele de acordo com a idade e colocamos uma mini estante em seu quarto onde ele mesmo pode pegar quando quiser. Acho que tudo isso vale muito. Abraços!

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    1. É isso aí, Ricardo. Temos que estimular sempre! Um abraço!

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  6. Gostei bastante do texto! Parabéns ao Clube do Livro e Amigos! Parabéns, Barbara Garrett!

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    1. Fico tão feliz que tenha gostado! Um grande beijão!

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