[Crônicas da Fê] Sobre o silêncio




Sobre o silêncio

Eu gosto da madrugada. Durmo tarde, então muitas vezes acompanho o mundo adormecer ao meu redor, enquanto todo o barulho se reduz ao silêncio confortável de que lá fora o ritmo diminuiu. As pessoas se recolheram às suas camas. Os carros estão estacionados. E a vida é preenchida do mais puro silêncio. Ah, como eu amo o silêncio!
Eu sou psicóloga e eu faço terapia. Então eu sou as duas coisas, terapeuta e paciente. Atendo e sou atendida. E durante uma sessão terapêutica o psicólogo ouve o paciente e faz o que nós chamamos de intervenções, que vão se basear na abordagem que seguimos, para os leigos, a mais famosa é a psicanálise, Freud e coisa e tal, mas eu posso garantir: são muitas! Só que algo que todo psicólogo precisa aprender quando ele começa a atender é o valor do silêncio no espaço terapêutico. O silêncio que, para os iniciantes, incomoda, mas que depois de conviver com ele por algumas sessões e em algumas situações, começa-se a perceber o valor que ele tem.

O silêncio que vai produzir insight. O silêncio que vai iniciar um choro represado. O silêncio que vai acalmar o choro convulsivo. Ou apenas o silêncio que vai chegar para finalizar alguma questão pendente. A grande questão é: precisamos respeitar a importância do silêncio.


Hoje em dia as pessoas pensam demais e falam o tempo todo. Nós escrevemos como nos sentimos nas redes sociais, postamos os status dos sentimentos, usamos 140 caracteres para definir nosso humor, fazemos textões de nossas opiniões e não nos cansamos de falar, opinar, pontuar, interrogar, exclamar, suplicar, ofender, ditar, ordenar, desabafar.... ar... ar... ar... Quanta falta de ar pelo excesso de ar! Nunca faltam palavras no mundo moderno, as pessoas sempre acreditam que têm algo importante a dizer. Mas será?
Será que realmente é necessário falar tanto? Será que sempre é preciso dar uma opinião sobre tudo o tempo todo exaustivamente? Será que não posso ignorar uma opinião divergente da minha só pra não entrar numa polêmica desnecessária? Será que realmente eu preciso ter opinião sobre tudo o tempo todo?
Uma vez me perguntaram o que eu achava sobre determinado assunto (que eu nem lembro mais, pois realmente não me importava), aí eu disse: não faço ideia, não tenho uma opinião sobre isso. A pessoa me olhou como se eu fosse uma alienada, e bom, talvez eu seja mesmo em diversos assuntos. Eu não sou uma enciclopédia ambulante que conhece todos os assuntos do mundo ou que anda lendo as notícias com compulsão para poder ter o que dizer em todos os momentos. Em muitas ocasiões eu apenas não sei... Ou como diria uma famosa atriz: não posso opinar!
Talvez essa atriz tenha sido bem mais sincera ao dizer isso, tudo que se ela enfeitasse uma série de opiniões vazias sobre o assunto que ela não sabia. Errou quem a colocou lá. Mas isso são outros 500.
Voltando ao silêncio, eu me recordo sempre de um provérbio que me parece ser indiano: “Cuide para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio”. Difícil tarefa esta! Pois a maioria das vezes nossas palavras esmagam o silêncio que com certeza seria muito mais agregador.
Então, em alguns momentos eu tento ser a madrugada. Tento ser silenciosa, me afastar da multidão barulhenta e apenas ficar quieta, esperando que meu caos interno se reorganize. Pois acredite, todos nós temos nossos barulhos internos e precisamos acalmá-lo, vez ou outra.

Minha sugestão? Aprecie os silêncios da vida. Aqueles instantes de paz suprema em que você não é obrigado a falar ou a ouvir nada, nem ninguém. Isso acalma a alma e faz uma faxina na poluição sonora que temos a nossa volta todos os dias.

SOBRE A AUTORA
ColaborAutora Fê Friederick Jhones
Eu sou uma apaixonada por histórias e pessoas, minha primeira escolha então foi a Psicologia, as palavras sempre fazendo meu mundo ter mais sentido, palavra cantada, escrita, falada, eu amo qualquer tipo de arte. Sou uma boba que chora com dramas de amor, amo finais felizes e clichês românticos, gosto de torcer por personagens que só existem na minha imaginação e passo horas em mundos variados, criando-os ou conhecendo-os pela voz de outros. Escrevo porque preciso e não saberia viver sem isso, artigos, reflexões, frases, contos, poesias, romances, todos os meus pedaços que dou ao mundo. Sou mãe de uma lady peluda que se chama Belle e tenho um marido lindo chamado Deivid Jhones, de quem roubei o sobrenome. Nasci na terra do acarajé, mas moro na cidade do bolo de rolo. Prazer, eu sou a Fê!

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Beijos
Fê Jhones

Um comentário:

  1. Oi Fê, tudo bem?

    Eu amo psicologia. Ainda estou em formação, mas Desde o principio aprendi a crescer como pessoa,a enxergar o outro em suas três dimensões: Espiritual, Física e Psíquica. De fato, para os leigos, quando se fala em psicologia a visão que os mesmos têm é Freud e a Psicanalise. Não fazem ideia que existem as demais. Eu, já nos segundo semestre me identifiquei com Alfred Addler, porém, Ainda não sei se seguirei essa linha de pensamento. Me vi nesse texto. Amo o silêncio! Como dizem: A madrugada é altamente produtiva para os que podem utilizá-la para trabalhar e estudar. Afinal, enquanto alguns sonham, outros realizam... pena que muitos não respeitam o momento do outro quando este precisa de silêncio. Bom trabalho! Vá além!

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