[No Divã ] Entrevista com Autora Tahiana Andrade

Olá Clubenautas!


Bullying. Tema que parece novo, mas é velho conhecido de crianças e adolescentes espalhados pelo mundo. Após a leitura do livro Memórias do Bullying, lançado pelo selo “Talentos da Literatura Brasileira”, eu achei que era essencial dar voz à autora. Primeiro porque ela é uma jovem escritora que teve a coragem de não apenas tocar em um assunto delicado e tenso, mas mostrar sua cara e dar voz à sua história.
Fiquem com essa entrevista e ao final, mais informações para você adquirir esse livro e aprender mais sobre o tema.



Entrevista Especial 

  1. Memórias do Bullying é seu primeiro livro. Conte um pouco do que ele fala para os leitores.
O livro conta a minha história como vítima de bullying por quatro anos ao mesmo tempo em que revela minhas experiências profissionais e meus estudos científicos sobre o tema.

  1. Você entrelaça o aporte teórico da Psicologia com relatos íntimos da sua própria história como vítima de bullying, foi difícil escrever sobre isso? Por que quis escrevê-lo deste modo?
Eu sempre quis trabalhar com a temática do bullying porque me via na obrigação de ajudar outras pessoas a superarem o problema. Comecei palestrando sobre o assunto em escolas, tanto para alunos quanto para professores. Na medida em que eu estudava o assunto percebi que tinha material científico suficiente para escrever um livro ao mesmo tempo em que também sabia que a minha história enriqueceria, sensibilizaria e seria um diferencial nesse projeto. Chorei em alguns capítulos diante de muitas lembranças, mas me senti vitoriosa por transformar um problema em superação.


  1. No capítulo 3, sobre exclusão, você menciona um psicólogo, Joel Haber, especialista em treinamento antibullying. Como funciona esse treinamento? Ele existe no Brasil?
Haber foi o criador desse tipo de treinamento. Infelizmente, no Brasil, fala-se muito sobre técnicas e estratégias contra o bullying, mas não há, até o momento, nenhum treinamento específico.

  1. O despreparo de profissionais como professores, pedagogos e psicólogos, para lidarem com o bullying, é real. O que você acredita que pode ser feito na formação destes profissionais a fim de prepará-los melhor?
A temática da violência escolar não está nas emendas das Universidades em geral, por vezes, os cursos de formação agem como se esse problema não existisse. Com a nova Lei Antibullying, em vigor desde fevereiro de 2016, a capacitação sobre o bullying torna-se obrigatória e isso forçará o estudo e a qualificação desses profissionais em suas faculdades.

  1. Você relata que as vítimas de bullying não costumam contar em casa sobre as agressões. A que tipo de sinais os pais devem ficar atentos para descobrirem se seu filho sofre com o bullying?
Qualquer alteração de comportamento é um sinal de que há algo errado com uma criança e é dever dos pais investigar isso. Todavia, o principal sintoma é o isolamento da criança somado a alterações de sono e justificativas aparentemente “inventadas” para não ir às aulas.

  1. Você acredita que o tema do bullying é pouco evidenciado no Brasil?
Infelizmente sim. No nosso país muitos veem a violência escolar como frescura de uma geração cheia de “mimimis” e se esquecem de que o bullying já foi responsável por massacres escolares, suicídios, transtornos mentais, doenças físicas e inúmeras outras questões em todo o mundo. Todavia, paralelo a isso, o assunto tem gradativamente ganhado espaço nas mídias e redes sociais, automaticamente repercutindo nas escolas e nos lares.

  1. Por que as pessoas precisam se preocupar em conhecer esse assunto?
Todos, inevitavelmente, passaram ou passarão por situações relacionadas ao bullying. Isso porque o bullying não está presente apenas nas escolas, mas, nos núcleos familiares, no trabalho, na faculdade, em condomínios, cursos de inglês, aulas de esporte, etc. Então, ele é um problema de todos, já considerado pela OMS como um problema de saúde pública mundial.

  1. Fale um pouco sobre sua atuação antibullying nas escolas.
Comecei o meu trabalho com palestras para crianças e adolescentes, nela eu contava a minha experiência e buscava estratégias de sensibilização. Aos poucos passei a ser convidada para ministrar cursos de capacitação para professores e palestras para os pais. Atualmente ministro palestras em escolas e universidades, comumente direcionadas aos profissionais e estudantes da área, levando a minha mensagem de tolerância e paz.

  1. É seu primeiro livro. Quais as dificuldades que tem encontrado no meio literário?
Apesar do crescimento e da valorização da literatura nacional há sempre preferência pelos livros estrangeiros e por escritores já conhecidos.
  1. Pretende escrever mais algum livro? Se sim, qual o tema?
Já pensei em escrever um romance infanto-juvenil com a temática do bullying. Mas ainda é um projeto distante.

  1. Deixe uma mensagem para os leitores.
Quando falamos em bullying tendemos a pensar em algo distante de nós, mas o bullying está no Bom dia que não recebemos na escola, no sorriso que ignoramos de alguém. Está nas atividades que não querem que participemos e nos grupos em que deixamos pessoas de fora. O bullying está nas nossas vidas tal qual as nossas relações sociais. E ele fere... Fere tão profundamente que suas sequelas podem durar a vida toda. E é exatamente por isso que precisamos entender o bullying, compreender seus contextos e suas relações. Se você pensar um pouquinho perceberá que, em algum momento da sua vida você foi a vítima ou o agressor e isso já é suficiente para olhar a violência escolar com outros olhos. Em Memórias do Bullying é possível perceber através da minha história que, aquela “brincadeira inocente” pode doer mais do que você imagina.

Este foi o relato da jovem psicóloga e escritora Tahiana Andrade S. Borges falando sobre seu livro Memórias do Bullying e sobre esse tema pouco falado, mas muito vivenciado por crianças e adolescentes no mundo inteiro. O livro está à venda na Saraiva Online, link na postagem.

Obrigada por mais esta oportunidade de trazer um tema relevante aos leitores, além de mostrar mais da literatura nacional de qualidade espalhada pelo nosso Brasil!!



Tahiana Andrade S. Borges


Psicóloga CRP03/7420



É Psicóloga, especialista em Gestão de Pessoas. Atua na área clínica e organizacional. Escreve artigos para diversos blogs e revistas eletrônicas e ministra palestras em empresas, escolas, equipes de saúde e comunidades, sempre com temas relacionados à Psicologia, Comportamento Humano e Bullying. Sofreu bullying na infância, por 4 anos consecutivos, e por isso desenvolveu um interesse especial pelo assunto, dedicando-se a estuda-lo profundamente nos últimos anos.

Tem 28 anos, é casada, bahiana de Salvador, apaixonada por livros, música e Psicologia.



SOBRE A SUA OBRA

MEMÓRIAS DO BULLYING

Editora: Novo Século

 Selo: Talentos da Literatura Brasileira


Atualmente o fenômeno bullying/violência escolar tem sido assunto de constante preocupação e discussão entre professores, pedagogos, psicólogos, pais e estudantes em todo o mundo. Isso acontece devido ao crescimento desse fenômeno, que tem feito com que muitas crianças sofram violência física, psíquica e verbal no ambiente que deveria lhes transmitir segurança e socialização: a escola. Com isso, o bullying passou a ser considerado um problema de saúde pública internacional.
O livro “Memórias do bullying” aborda o assunto a partir de duas perspectivas: a experiência profissional da autora do livro como estudiosa dos fenômenos psicológicos relacionados ao bullying e; as experiências de ter sido vítima de bullying na infância, corroborando as pesquisas citadas no livro. Dessa forma, os profundos sentimentos e emoções vividos durante os 4 anos em que a autora sofreu com o bullying são narrados em paralelo a estudos inovadores sobre as causas, as consequências e os aspectos psicológicos que envolvem o problema. Em “Memórias do bullying” é possível compreender a definição, as formas e a origem da violência escolar entre alunos, além da percepção sobre o perfil das crianças envolvidas, as consequências na vida infantil e adulta e estratégias de intervenção e prevenção acompanhados de uma história de sofrimento que foi transformada em superação narrada com sensibilidade em trechos autobiográficos.
A autora do livro, Tahiana Andrade S. Borges, é psicóloga, especialista em gestão de pessoas, escreve para blogs, sites e revistas eletrônicas sobre assuntos relacionados à Psicologia e Comportamento humano. Esses textos são divulgados em suas páginas pessoais e profissional nas redes sociais, Facebook e Instagram, onde já possui um total de mais de 6500 seguidores. Atualmente, Tahiana faz palestras em escolas, empresas e comunidades além de trabalhar na área clínica ajudando, dentre outros problemas, crianças e adolescentes que vivenciam o bullying.
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ColaborAutora Fê Friederick Jhones
Eu sou uma apaixonada por histórias e pessoas, minha primeira escolha então foi a Psicologia, as palavras sempre fazendo meu mundo ter mais sentido, palavra cantada, escrita, falada, eu amo qualquer tipo de arte. Sou uma boba que chora com dramas de amor, amo finais felizes e clichês românticos, gosto de torcer por personagens que só existem na minha imaginação e passo horas em mundos variados, criando-os ou conhecendo-os pela voz de outros. Escrevo porque preciso e não saberia viver sem isso, artigos, reflexões, frases, contos, poesias, romances, todos os meus pedaços que dou ao mundo. Sou mãe de uma lady peluda que se chama Belle e tenho um marido lindo chamado Deivid Jhones, de quem roubei o sobrenome. Nasci na terra do acarajé, mas moro na cidade do bolo de rolo. Prazer, eu sou a Fê!

Contato nas Redes Sociais com a Autora:

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Beijos Fê Jhones

8 comentários:

  1. Livro muito bom, o tema é pertinente porque há muito preconceito e desinformação acerca do Bulllying, até hoje tem gente que acha que ele tem um lado bom, que fortalece e reclamar é coisa de gente mimada que não conhece as durezas da vida etc. Nada mais distante da verdade, o Bullying de verdade é algo cruel que deixa a vítima fraca e deprimida ao invés de fortalecer e pode deixar seque-las para a vida inteira, ou seja, de brincadeira não tem nada.

    Valeu pela indicação,

    Abçs

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  2. Oi, Fê!
    Ficou show a entrevista!!
    Já conheço a autora e a obra, tive o prazer d eler pouco antes do lançamento! Entendo muito dos pontos de vista dela sobre a falta de preparo contra bullying aqui no Brasil, seja da equipe de profissionais da educação, seja por parte da família. Gostei da entrevista, pois dá p gente conhecer um pouquinho mais do autor! XD

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  3. Oi Fê!
    Ficou incrível a entrevista, muito bem elaborada, parabéns!
    O trabalho da Tahiana é muito relevante e ler as opiniões dela me fez querer ler o livro. É muito importante que a gente aprenda a não banalizar o bullying, por que o que acontece nas escolas não é nem longe parecido com as brincadeiras inocentes e apelidos engraçados que aconteciam na minha época de escola. É violência.
    Bjs!

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  4. Oie, tudo bem?

    Eu tenho um problema sério com o tema bullying. Olhando pelo ângulo de quem sofre, sou vítima de praticantes de bullying desde que nasci, ou melhor, desde que comecei a estudar. Tente imaginar anos 1970/1980 negra, classe média, pai operário, mãe dona de casa, estudando em colégio particular, em uma cidade basicamente racista.

    Talvez isso tenha me feito enxergar o bullying, na minha época zoação, de cabeça erguida. Nunca baixei a cabeça para quem pratica, nunca deixei que vissem que o que diziam ou faziam me magoava. Posso ser uma das exceções, mas continuo não entendendo como as pessoas se deixam afetar. Queria que todos pudessem ver que quem pratica é o fraco, o carente, o que precisa de atenção, e só consegue sendo agressivo.

    Indicando o livro, que não conhecia, para alguns amigos professores. Talvez isso ajude pessoas que não tem tanta força para, mesmo sendo novos, enxerguem que os ataques são movidos pelo medo do diferente.

    Beijos

    Bel Góes

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  5. Obrigada, meninas! Adorei ler o livro e fazer a entrevista! Beijinhos

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  6. Oi Fê, sua linda, tudo bem?
    Adorei essa entrevista!! Não sabia que já tínhamos a lei Antibullying em vigor no país. E concordo tanto com a autora, o bullying está presente em todos os lugares em que haja interação social, não é só na escola, com as crianças e adolescentes. É muito importante atitudes como a da Tahiana de conscientização, levando sua experiência para todos para tentar reverter esse quadro. Admirável!!! Desejo muito sucesso a ela, fiquei super empolgada para ler seu livro e ficarei torcendo para que a sementinha que ela está plantando não só dê frutos como se multiplique.
    beijinhos.
    cila.

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  7. Olá, que entrevista show...
    Não conhecia a autora e fiquei muito interessada em conhecer sua obra.

    Abraços

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  8. Olá... tudo bem??
    Eu adorei a entrevista e saber um pouco mais da autora isso é maravilhoso... eu já li dois livros que contem essa temática e fiquei me sentindo chocada e revoltada pelos acontecimentos e fiquei perplexa por saber tão pouco sobre o assunto... eu me peguei sem saber o que dizer para minha filha quando ela chegava zangada da escola, porque os meninos colocavam apelidos nela... então sim... eu acho certo ter mais coisas sobre o assunto, quanto pudermos falar sobre isso, vamos falar... divulgar e deixar entrar na mente das pessoas. Gostei muito das respostas da autora e que bom que ela se especializou nisso e pode levar essa mensagem para vários lugares... só desejo cada vez mais sucesso!
    Xero!

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